A-HA!!! VOLTEI!!!
Pessoal, fiquei mais de um ano sem "abrir a boca" aqui, mas tenho novidades!! Muitas novidades!!
Antes de mais nada, quero dividir com vocês que realmente estou no caminho da recuperação. Independente de eu querer ou não, não consigo mais voltar como era antes. A minha cabeça mudou e também não estou mais com depressão. Bom, né?
De qualquer forma, ainda não "sou" uma pessoa completamente normal (embora pareça uma!
). Provavelmente nunca serei, mas pelo menos agora sinto que vale a pena viver - uma coisa que não sentia antes. Agora tenho um trabalho legal, com pessoas legais e consigo me relacionar com as pessoas: conversar, rir, me comunicar no geral... Dentre as coisas boas que descobri, duas delas são: 1- que quando estou chateada, posso falar para a pessoa e; 2- não preciso me sentir culpada pelos problemas dos outros. Não sei explicar como foi todo esse processo de mudança e cura, mas aconteceu por causa da psicanálise.
Agora me dou o direito de ser eu mesma, sem ficar me escondendo pra fingir que sou normal (é, eu fiz isso a vida toda). Quem quiser que aceite. E agora que estou escrevendo isso, pode parecer que isso foi simples e fácil, mas não foi, não. Eu só sei que sofri bastante no começo porque tive que enfrentar tudo que não queria e que a anorexia me protegia. Tive que enfrentar pensamentos que me faziam sofrer para depois descobrir que eles eram delírios, e muito mais coisas, mas eu sabia que era só um sofrimento passageiro, que não ia durar pra sempre.
Mas como diz o título, tenho algumas pistas e quero compartilhá-las, se vocês quiserem... aí é só continuar a ler!
Apesar de tudo, talvez a obsessão seja um traço da minha personalidade, então estou sempre lendo sobre o assunto e nisso, encontrei algumas coisitas interessantes, como por exemplo:
"As crianças iniciam suas vidas como antropólogos que não falam. Estudam o mundo adulto e reagem a ele como se só isso fosse real. Não ousam desacreditar de seus cuidadores. Estes responsáveis pelas crianças podem ou não olhar em seus olhos; podem ou não ficar felizes em ver a criança; tocam-na de maneira suave ou agressiva; falam doce, ou rudemente ou ainda, raramente falam com ela. E as crianças acreditam que aqueles adultos têm o comando. E acreditam que são as únicas responsáveis pelas reações emocionais e pelo humor dos adultos em volta delas, portanto sentem que se se comportam bem, serão amadas; caso contrário, não. A criança sabe quem é pela maneira como os adultos reagem a ela. Às vezes, os adultos a amam simplesmente por ser quem é; às vezes, a amam pelo que fazem pelos adultos.
Em termos concretos, os pais precisam ensinar aos filhos como experienciar a vida e essa orientação se inicia quando os adultos focam na criança. Olhares amorosos freqüentes dos pais faz a criança desenvolver uma auto-estima e se sentirem mais seguros e protegidos, por exemplo. Conforme a criança cresce, interpretará as palavras que acompanharão os olhares e o tom de voz usados pelo adulto. Crianças gostam (e precisam) ouvir que são bonitas, inteligentes, espertas, especiais, etc. Elas demonstram o que sentem: beijam e abraçam seus pais, diz a eles que os ama. Se a criança ouvir coisas boas a seu respeito, sentir-se-á bem com ela mesma. Se ouvir coisas ruins, sentir-se-á mal. Se, entretanto, ouvir coisas boas, mas nãoconseguir acreditar, isso não a fará se sentir melhor e, pior ainda, se não ouvirem nada a seu respeito, ou sentir que os adultos cuidam dela só por obrigação, se sentirá invisível. Invisível porque faltará um auto-identidade, digamos assim, para formar uma coisa crucial - sua própria personalidade - ela não saberá quem é. A criança que não tem este tipo de apoio, sentirá que é "indescritível" (no mau sentido mesmo), que não é nada, então ela inventará um personagem para agradar os outros..."
Isso continua...


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