ANOREXIA: diário da minha outra personalidade


12/10/2009


COMO TER ANOREXIA? COMO NÃO SENTIR FOME?

 

Tem muita gente que vem até este blog em busca de algumas informações e curiosidades,  então quero aproveitar para contar como eu vejo esses assuntos:

 

COMO FAÇO PARA PEGAR ANOREXIA?

Bom, anorexia não é uma doença contagiosa, então não tem como "pegar". Seria uma sorte se fosse contagiosa, né? Tonto Brincadeira... Na verdade, a anorexia é a doença que tem a maior taxa de morte entre todos os transtornos psiquiátricos: 20% das pessoas que a desenvolvem,  morrem;  seja por consequência da debilidade física ou ainda, suicídio.       Quem desenvolve esse transtorno alimentar é a pessoa que já tem uma predisposição genética,  além de estar em um ambiente familiar e social que incentive. Sem detalhar muito, eu quero dizer que a pessoa tem que ter uma família muito exigente e que também não tenha o costume de demonstrar amor, como abraçar, beijar, ficar falando "amo você" e coisas do gênero. O que acontece é que a criança acha que para ser amada tem que fazer, tem que  merecer, tem que ser perfeita. A predisposição genética não precisa, necessariamente, terum pai ou mãe que teve algum TA.  Pode ser depressão, bipolaridade, distimia, alexitimia ou algo do gênero. O convívio social também tem que ser exigente e crítico - exemplo disso é que crianças que sofreram bullying na escola tem mais chance de desenvolver um TA - eu era a Gorda, Baleia, Nariguda e Quatro Olhos - bom começo, né?

 

COMO FAÇO PARA NÃO SENTIR FOME?

Uhmmm... isso eu não sei... Essa história de não sentir fome não tem nada a ver com anorexia. O grande barato da anorexia é sentir fome e ver o quanto você resiste sem comer. Nem moderador de apetite serve para isso porque ele diminui o apetite e não a fome.  Aí você me pergunta: não é a mesma coisa? Não!!! Fome é aquela dor no estômago, aquelasensação de fraqueza e mau humor. Já o apetite é aquela sensação que te dá quando vê aquele maravilhoso bolo de chocolate. Você sabe diferenciar a fome e o apetite? Bom, explico: com fome, você até quiabo queimado com recheio de carne de rã (exótico esse prato, né?!). O apetite só aparece quando tem guloseimas, pizzas, McDonald's, aquela pipoca que te dá vontade de comer por causa do cheirinho...

Por hoje é isso aí!!

Se você, amado leitor, tiver mais dúvidas, não se avexe e deixe um comentário com a questão,ok?


 

 

 

Escrito por Anna Paulla às 00h59
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29/07/2009


NÃO SEI COMO, MAS TENHO PISTAS...

A-HA!!! VOLTEI!!!

Pessoal, fiquei mais de um ano sem "abrir a boca" aqui, mas tenho novidades!! Muitas novidades!!

Antes de mais nada, quero dividir com vocês que realmente estou no caminho da recuperação. Independente de eu querer ou não, não consigo mais voltar como era antes. A minha cabeça mudou e também não estou mais com depressão. Bom, né?

De qualquer forma, ainda não "sou" uma pessoa completamente normal (embora pareça uma! Tonto ). Provavelmente nunca serei, mas pelo menos agora sinto que vale a pena viver - uma coisa que não sentia antes. Agora tenho um trabalho legal, com pessoas legais e consigo me relacionar com as pessoas: conversar, rir, me comunicar no geral... Dentre as coisas boas que descobri, duas delas são: 1- que quando estou chateada, posso falar para a pessoa e; 2-  não preciso me sentir culpada pelos problemas dos outros. Não sei explicar como foi todo esse processo de mudança e cura, mas aconteceu por causa da psicanálise.

Agora me dou o direito de ser eu mesma, sem ficar me escondendo pra fingir que sou normal (é, eu fiz isso a vida toda). Quem quiser que aceite. E agora que estou escrevendo isso, pode parecer que isso foi simples e fácil, mas não foi, não.  Eu só sei que sofri bastante no começo porque tive que enfrentar tudo que não queria e que a anorexia me protegia. Tive que enfrentar pensamentos que me faziam sofrer para depois descobrir que eles eram delírios, e muito mais coisas, mas eu sabia que era só um sofrimento passageiro, que não ia durar pra sempre.

Mas como diz o título, tenho algumas pistas e quero compartilhá-las, se vocês quiserem... aí é só continuar a ler!

Apesar de tudo, talvez a obsessão seja um traço da minha personalidade, então estou sempre lendo sobre o assunto e nisso, encontrei algumas coisitas interessantes, como por exemplo:

"As crianças iniciam suas vidas como antropólogos que não falam. Estudam o mundo adulto e reagem a ele como se só isso fosse real. Não ousam desacreditar de seus cuidadores. Estes responsáveis pelas crianças podem ou não olhar em seus olhos; podem ou não ficar felizes em ver a criança; tocam-na de maneira suave ou agressiva; falam doce, ou rudemente  ou ainda,  raramente falam com ela. E as crianças acreditam que aqueles adultos têm o comando. E acreditam que são as únicas responsáveis pelas reações emocionais e pelo humor dos adultos em volta delas, portanto sentem que se se comportam bem, serão amadas; caso contrário, não. A criança sabe quem é pela maneira como os adultos reagem a ela. Às vezes, os adultos a amam simplesmente por ser quem é; às vezes,  a amam pelo que fazem pelos adultos.

Em termos concretos, os pais precisam ensinar aos filhos como experienciar a vida e essa orientação se inicia quando os adultos focam na criança. Olhares amorosos freqüentes dos pais faz a criança desenvolver uma auto-estima e se sentirem mais seguros e protegidos, por exemplo. Conforme a criança cresce, interpretará as palavras que acompanharão os olhares e o tom de voz usados pelo adulto. Crianças gostam (e precisam) ouvir que são bonitas, inteligentes, espertas, especiais, etc. Elas demonstram o que sentem: beijam e abraçam seus pais, diz a eles que os ama. Se a criança ouvir coisas boas a seu respeito, sentir-se-á bem com ela mesma. Se ouvir coisas ruins, sentir-se-á mal. Se, entretanto, ouvir coisas boas, mas nãoconseguir  acreditar, isso não a fará se sentir melhor e, pior ainda, se não ouvirem nada a seu respeito,  ou sentir que os adultos cuidam dela só por obrigação, se sentirá invisível.  Invisível porque faltará um auto-identidade, digamos assim, para formar uma coisa crucial - sua própria personalidade - ela não saberá quem é.  A criança que não tem este tipo de apoio, sentirá que é "indescritível" (no mau sentido mesmo), que não é nada, então ela inventará um personagem para agradar os outros..."

Isso continua...

 

Escrito por Anna Paulla às 23h07
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29/04/2008


AFRAID

É, pois é, voltei aqui de novo porque me identifiquei tanto com uma música que vale a pena compartilhar...

É uma música do Motley Crue chamada "Afraid". 

Aí vai a letra:

do you, do you wanna bleed? (você quer, você quer sofrer?)
do you, do you wanna live in vain?
(você quer, você quer viver em vão?)
it's only life
(é só a vida)
she's so afraid to kiss
(ela tem tanto medo de beijar)
and so afraid to laugh
(e tanto medo de rir)
is she runnin' from her past?
(será que está fugindo de seu passado?)
it's only life
(é só a vida)
she's so afraid of love
(ela tem tanto medo do amor)
is so afraid of hate
(e tanto medo do ódio)
what's she runnin' from now??
(do que ela está fugindo agora?)

do you, do you wanna scream?
(você quer, você quer gritar?)
do you, do you wanna face the strange? (vc quer, vc quer encarar o estranho?)
do you, do you believe?
(você, você acredita?)
are you, are you afraid of change? (você tem, você tem medo de mudanças?)

it's only life
(é só a vida)
she's so afraid of this (ela tem tanto medo disso)
and so afraid to ask
(e tanto medo de pedir)
she hides behind her mask
(ela se esconde atrás de sua máscara)
nothing's ever right
(nunca nada está certo)
she's so afraid of pain
(ela tem tanto medo da dor)
so afraid of blame
(e tanto medo da culpa)
it's driving her insane
(isso está deixando-a louca)
so insecure
(tão insegura)
there is no cure (não tem cura)

well she's so afraid (bem, ela tem tanto medo)

she's so afraid of death (ela tem tanto medo da morte)
she's so afraid, afraid of life
(ela tem tanto medo, ela tem tanto medo da vida)
the drama in her head
(o drama em sua cabeça)
getting louder all the time
(só aumenta o tempo todo)
getting louder all the time
(aumenta o tempo todo)
she's so afraid, afraid to lose
(ela tem tanto medo, tanto medo de perder)
been so afraid of fame
(tem tanto medo da fama)
everyday she feels the same
(todo dia ela sente a mesma coisa)
it's driven her insane... (isso a está deixando louca)

Escrito por Anna Paulla às 00h45
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18/03/2008


MEDO

Eu tô com medo...

Acho que a Ana vai voltar...

E eu preciso tanto Dela neste momento...

Estou em tratamento há tempos. Eu realmente A estava superando, porque na maior parte do tempo consigo saber os porquês das situações e também da maioria das emoções e sensações... Mas eu ainda não me permito falhar, errar, sei lá... mesmo não tendo certeza se eu realmente cometi a tal falha... E eu tô com medo... talvez Dela, da Ana; talvez da falta Dela, que neste momento, conscientemente sei que só Ela está do meu lado... Ela é o ódio de mim mesma e, principalmente, o castigo que eu mereço... Ela dói, mas eu quero... pode ser que seja só hoje... Pode ser que não...

Não sei se A quero de volta... Talvez se Ela voltar, Ela seja ainda mais rigorosa e exigente comigo... Talvez Ela me pergunte porque A deixei de lado... Por que não acreditei que só Ela é minha amiga verdadeira... Que se eu A tivesse escutado, não A tivesse ignorado e desprezado, eu não estaria em tanta enrascada...

MEDO...

Escrito por Anna Paulla às 00h13
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18/05/2007


AJUDANDO DA FORMA CERTA!

Nesta semana recebi um comentário no Blog de uma moça muito simpática querendo ajudar, dizendo que nós deveríamos ser pessoas contentes e que deveríamos viver pra nós mesmas, etc... Bem intencionada ela estava, com certeza, mas eu reprovei o comentário, não por maldade minha, mas porque quero explicar algumas coisas, principalmente pra quem não tem um transtorno alimentar. Segundo meu maravilhoso maridão, “boa intenção é o começo, mas não basta”. Então, a seguir vão algumas dicas para aqueles que querem ajudar amigos e familiares, mas de uma maneira efetiva!
A primeira coisa é que quem não tem um TA precisa entender que a cabeça de quem tem é diferente. Se você quer se aproximar de uma anoréxica pra ajudá-la, não adianta forçá-la a comer, nem evitar que uma bulímica induza o vômito ou impedir que um Comedor Compulsivo pare de comer demais. Não foque imediatamente na comida ou nos hábitos alimentares dessa pessoa. Os Transtornos Alimentares estão diretamente relacionados a problemas emocionais que a própria pessoa não consegue ou não pode resolver. Além disso, saiba que são pessoas com graves distúrbios na imagem corporal – realmente se enxergam gordas, mesmo estando magérrimas – e também de auto-estima – são pessoas que não gostam de si mesmas. Isso pode ter acontecido por inúmeras razões e só um profissional de saúde poderá realmente curá-las.
Quem tem um Transtorno Alimentar está doente – não foi uma escolha consciente. Não a critique dizendo que ela quer chamar a atenção ou que está com “frescurite”. Isso não é verdade e só a fará se sentir pior do que já está. Muitas vezes, a pessoa sente medo ou vergonha de pedir ajuda. Geralmente, acredita que não é merecedora de tratamento e ajuda. Então se você está realmente disposto a ajudar, a primeira coisa a fazer é ser carinhoso e se oferecer para ouvir, porém sem ficar oferecendo conselhos e dizendo “ah, já me senti assim uma vez quando...”. Ouça. E se ela te pedir um conselho, seja honesto, mas gentil. Não esqueça que ela não está assim porque quer.
Não ameace. Se a pessoa confiar em você e decidir que está pronta para conversar, deixe que ela fale, dê valor à confiança que ela depositou em você e não a traia, afinal você se ofereceu pra ajudar.
Incentive-a a procurar ajuda profissional. Somente especialistas podem curar – ela não se curará sozinha.
Procure se informar sobre o Transtorno em questão. Leia e saiba mais sobre o problema, sintomas e possíveis tratamentos. Quando você voltar a conversar com a pessoa, ela se sentirá mais segura e saberá que pode confiar em você, que você está interessado no que ela tem a dizer e disposto realmente a ajudar.
Nunca, nunca mesmo, diga algo como “Por que você está fazendo isso comigo/ com sua família/ com você mesmo?”. Quem tem um Transtorno Alimentar não está fazendo isso com você, nem com ninguém, e sim lutando muito consigo mesmo, em seu interior. É bom ter isso em mente quando quiser fazer perguntas que são egoísta ou que magoam (mesmo que sem intenção). Além disso, esse tipo de atitude só vai perpetuar o sentimento de culpa que quem sofre com TA já tem.
“Você tem uma vida tão boa. Qual é o seu problema, hein?” – Não é uma opção consciente (na maioria dos casos) a pessoa escolher isso como estilo de vida ao contrário de ser uma pessoa feliz e com auto-estima saudável e equilibrada. O Transtorno Alimentar é o mecanismo que ela usa para conseguir lidar com a depressão ou a auto-rejeição que aumenta dentro dela há muito tempo. É um reflexo externo do que a pessoa sente em seu interior. Maridos maravilhosos, filhos perfeitos, amigos que sempre estiveram presentes, na verdade têm pouca ou mesmo nenhuma influência na criação de uma auto-estima saudável para que a pessoa consiga se curar, lidar bem com os problemas que a vida lhe apresenta e aprender a acreditar que merecem desfrutar das coisas boas que a vida oferece e da felicidade. Estes Transtornos têm a ver com o sofrimento interior da própria pessoa e de como ela se sente em relação a si mesma.
(Fonte: Textos de divulgação da ASTRAL – BR Associação Brasileira de Transtorno Alimentar)

Escrito por Anna Paulla às 20h20
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04/05/2007


EMAGRECER É PRECISO, VIVER NÃO É PRECISO

Nunca vou me esquecer de uma aula que tive, ainda no primeiro grau, cujo título da matéria sobre a navegação portuguesa era “navegar é preciso, viver não é preciso”. Esta frase, usada pelo romano Pompeu pra animar seus marinheiros e, posteriormente, por Fernando Pessoa em um de seus poemas, à primeira vista me chocou. Claro que na noite anterior à aula eu, como perfeccionista e morta de medo de errar ou de fazer qualquer pergunta boba, li o capítulo do livro e pensei “Caramba, esses caras eram doidos mesmo!! Como assim? Precisam navegar, mas viver, não??” Isso ficou na minha cabeça até quando a professora explicou que esta frase tinha duplo sentido, mas queria dizer que navegar é uma ciência exata e racional, mas viver, não. Adoro essa frase!! O escritor Rubem Alves colocou bem dizendo o seguinte: “Navegação é ciência, conhecimento rigoroso. Para navegar, barcos são necessários. Barcos se fazem com ciência, física, números, técnica. A navegação, ela mesma, faz-se com ciência: mapas, bússolas, coordenadas, meteorologia. Para a ciência da navegação é necessária a inteligência instrumental, que decifra o segredo dos meios. Barcos, remos, velas e bússolas são meios. Já o viver não é coisa precisa. Nunca se sabe ao certo. A vida não se faz com ciência. Faz-se com sapiência. É possível ter a ciência da construção de barcos e, ao mesmo tempo, o terror de navegar. A ciência da navegação não nos dá o fascínio dos mares e os sonhos de portos onde chegar.”

Acho que isso tem tanto a ver com a anorexia... Se você quer emagrecer, você precisa de uma tabela de calorias e precisa calcular quanto vai gastar de energia e quanto vai consumir; quanto de calorias perderá se fizer determinado exercício e quanto precisará queimar pra emagrecer a quantidade que “zera” a diferença. É matemático, é preciso, é racional. Mas e viver? Viver, não... Da mesma forma que a navegação é só um processo, porque a meta é chegar, atracar e fazer o que tem pra fazer; emagrecer também é um processo e na anorexia acho que a meta nunca é alcançada “meio que” propositalmente. Porque assim como a precisão da navegação não é a mesma que a do encontro e da negociação com as pessoas – aquele jogo de “pechincha” – correndo o risco de não ter tanto lucro, ser magra não significa ser feliz, não significa se dar bem com as pessoas...  

Então, a questão não é exatamente “viver” em si, mas lidar com as pessoas. Eu nunca consigo saber a reação que os outros terão em relação a mim e ao que faço. Muitas vezes esperei reações boas em determinada situação, e acabei sendo muito criticada. Nos momentos em que estou empolgada e termino criticada, fico tão mal, me sinto tão devastada, que num certo ponto decidi que era mais simples sempre esperar uma reação negativa das pessoas, pois o elogio seria um “lucro”, digamos assim. “Não se pode agradar a Gregos e Troianos”. Então sei que o que faço nunca estará perfeito pra todo mundo. Pois é!! Emagrecer é mais preciso do que viver e talvez mais necessário também...

Escrito por Anna Paulla às 11h59
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22/04/2007


DEBUTANTE

Olá a todos!!!

Bom, antes de passar ao texto, quero agradecer à vocês pela paciência, por esperarem... estou bem! Mas nesse período de sumiço, mudei de cidade e muitas coisas mudaram na minha vida também, mas vou explicando aos poucos, ok?? Espero que vocês curtam este meu retorno!!! 

 

Dizem que as anoréxicas querem emagrecer porque acham que assim que estiverem magras o suficiente, serão felizes. Eu penso assim também. Sempre achei que podia emagrecer mais um pouquinho, porque eu só sou infeliz porque sou gorda... assim que eu estiver magrinha, as coisas boas acontecerão, os meus sonhos se realizarão, alcançarei meus objetivos.  Tenho em mente que o dinheiro não traz felicidade, mas a magreza, sim... e dinheiro, e amigos, e reconhecimento, e elogios e segurança, etc, etc, etc...

Outro dia, na terapia, eu falei que como o meu regime nunca acaba, a impressão que tenho é que estou me preparando pra ir à minha festa de debutante, só que ela já deveria ter acontecido há 17 anos atrás. Engraçado isso, já que a festa de debutantes, em termos tradicionais, acontece quando a menina é apresentada à sociedade, ou seja, quando ela está pronta pro convívio social, pra ser aceita como uma pessoa independente, sendo, então, a transição de criança que depende dos pais para uma pessoa que já pode a ter suas próprias idéias e gostos e escolher a vida que quer levar. O nascimento também é mais ou menos isso – acontece quando você está pronta, com o corpo em condições de funcionar independente da mãe.

Pra mim, sempre parece que experimento o vestido da festa e ele tá muito justo. Enquanto a costureira arruma, eu percebo que o cílio postiço caiu e eu tenho que colocar de volta, mas então meu cabelo começa a despencar e eu volto pro cabeleireiro e conserto. Quando volto a experimentar o vestido, ficou largo demais, e assim vai... faz 17 anos que a maquiagem sai, o cabelo despenca, o vestido nunca serve e depois a cor não fica boa...

E depois de toda essa preparação, será que a festa vai ser boa?? O pior problema é que isso vai depender de outras coisas e pessoas: dos convidados, dos garçons, dos caras que fazem a decoração do salão, etc, etc, etc... pensando bem, a festa só seria perfeita como na minha imaginação se eu pudesse controlar cada passo de todos... isso não dá pra fazer... então, ficar me arrumando eternamente pra festa garante que a festa nunca aconteça – tenho total consciência disso, mas a minha mãe sempre falava uma frase que encaixa aqui perfeitamente: “o melhor da festa é esperar por ela”. Claro!!! A festa nunca será tão perfeita quanto na nossa imaginação. As pessoas não dirão o que você imaginou, pode estar chovendo no dia, o gosto dos salgadinhos não será tão bom quanto o que você experimentou quando foi escolher o buffet, os vestidos que os outros usarão não serão aqueles que você fantasiou - e se na minha festa de debutantes, em que eu deveria ser o centro das atenções, aparecer alguém que esteja mais bonita e diminuir o meu brilho? Conheço tantas meninas mais lindas,mais magras, com mais dnheiro pra comprar roupas...

Sabe, acho ficar fazendo regime eternamente esperando ser magérrima, lindérrima, perfeita é a maneira mais segura de me garantir um futuro, uma esperança, de poder acreditar que ainda vou conseguir ser alguma coisa, de que serei independente e aceita pela sociedade como uma adulta capaz de fazer escolhas próprias com segurança e sem depender de ninguém pra isso...

Escrito por Anna Paulla às 17h40
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27/01/2007


DESEJAR E PRECISAR

Pergunte pra qualquer pessoa neste planeta quais são as 3 principais necessidades dela pra sobreviver e você terá como resposta o ar para respirarmos, a água e o alimento. A respiração é uma função biológica que não podemos controlar - a pessoa não consegue prender a respiração tempo suficiente pra se matar. Beber água é essencial também. Não sobreviveríamos sem ingestão de líquidos por mais de 7 dias. Mas o alimento...

Imagina o poder que uma pessoa teria se ela não precisasse comer nunca! Ela poderia ser considerada uma santa milagrosa - aliás, muitas foram!

Sabe, eu estive pensando sobre o porque das meninas anoréxicas se sentirem tão poderosas quando conseguem ficar sem comer... quanto mais tempo sem comer, maior é a sensação de poder, maior é o contentamento!

Eu acho que a anorexia é uma coisa muito interessante... anorexia vem do  grego: “an”, que é não e de orex, que é “apetite”, mas também “desejo”, então vai além do não comer: se transforma numa luta entre o “desejar” e o “precisar”. Quando eu exijo de mim passar o dia sem comer nada, com o estômago roncando, na verdade, é o seguinte: eu “preciso” mas “não desejo” esse “precisar”. Quando a cabeça está focada, obcecada e entretida o dia todo no paradoxo do comer / não comer, na verdade, ainda precisamos das coisas (qualquer coisa, não importa o que - pode ser comida, amor, um namorado, um corpo bonito, etc...), mas não admitimos - por isso que a anorexia tem esse poder todo, porque muda o foco do pensamento e te protege: ao invés de chorar porque ninguém nos ama, porque não temos namorado, porque não fomos bem na prova, choramos porque não pudemos “controlar” e tivemos que (precisamos) comer. Mas quando estamos naquelas crises bravas, a gente se sente poderosa: porque controlando muito e ficando sem comer (comer é necessário para viver), temos a sensação de que se não precisamos nem comer, não precisamos de nada - de nada mesmo. Por isso que acreditamos que seremos felizes quando estivermos magras o suficiente mas nunca estaremos “magras o suficiente”, porque precisamos de sempre nos afastar dos outros desejos, das outras necessidades.

Não desejar é poderoso! Já pensou nisso? Por isso que muitas recusam o tratamento, porque, mesmo que inconscientemente, precisam de alguma coisa, mas negam a si mesmas o essencial pra viver - o princípio, o necessário - o resto é supérfluo - e ter esse controle é uma coisa satisfatória demais! Porém quando você se “atreve” a se tratar, você sabe que uma hora qualquer terá que reconhecer que a comida é uma necessidade física primária e de fácil acesso, mas você tem outras necessidades - e abrir mão desse poder e admitir que além de precisar comer, você precisa de mais um monte de coisas e acostumar-se a “precisar”, é complicado - é admitir que você realmente perdeu a batalha. Se só estamos entretidas na nossa luta contra a comida - aquela comida que está lá disponível, mas que simplesmente não pegamos porque queremos chegar num estágio em que não precisamos e nem queremos, imagina a dificuldade ao admitir e perceber que temos outras necessidades e que satisfazê-las é mais complicado que comer, pois nada estará lá tão disponível, tão fácil...

É dolorido demais perceber suas necessidades além do ar e da água. Mas se você consegue coibir sua “necessidade” e seu “desejo” de comer, você poderá ainda mais facilmente controlar quaisquer outras necessidades e desejos.

Escrito por Anna Paulla às 02h24
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07/01/2007


NÃO ENTENDO MAIS NADA

Durante muitos anos da minha vida, pra falar a verdade, fiquei me perguntando se eu tinha mesmo anorexia. Estranho dizer isso aqui, né? Mas me perguntei isso até há bem pouco tempo atrás. Eu diria até, há dias atrás... Será que eu era mesmo uma anoréxica? Eu nunca achei que tivesse controle suficiente pra ter esse mal tão bom... Eu não sabia se merecia ser anoréxica, porque sempre me achei muito “nada” pra ser alguma coisa...

Claro, já tive o diagnóstico de anorexia bem mais de uma vez... mas sempre me questionei se nem me defendi dos diagnósticos dos médicos porque sendo anoréxica, eu seria, pelo menos, alguma coisa... Mas sabe que eu cheguei à conclusão que sou, sim. Sabe como? Bom, vou contar...

Eu me trato, como vocês bem sabem, tomo antidepressivo, faço terapia e vou a consultas como meu psiquiatra. Eu tinha muita depressão, mas o remédio fez com que a depressão me abandonasse. Ultimamente, tenho me sentido bem, dou risada de tudo e à toa, estou com pensamentos otimistas e projetos, mas há alguns dias me peguei pensando mais ou menos assim: “Putz, se eu engordar mais 100g, acho que vou dar mesmo um fim à minha vida”. Isso, de certa forma, me assustou, porque, teoricamente, quem não tem depressão, não pensa em suicídio, mas eu estava pensando, sim. Que coisa maluca! Aí comecei a analisar a situação toda e não - eu não tenho mais motivos pra querer morrer. Mas mesmo assim, eu preferia morrer a viver gorda (ainda não aprendi que “engordar” não significa “ser gorda, baleia assassina” e não sei se algum dia vou saber a diferença).

O maior problema disso tudo é que quando não se está com depressão, a sua mente pensa com clareza. A sua mente volta a tomar decisões firmes. É disso que eu tenho medo, porque enquanto eu estava deprê, achava que era só tomar o remédio e a vontade de morrer passaria. Quando eu pensei agora: “é melhor morrer magra que viver gorda”, foi como se eu estivesse num escritório de contabilidade e tivesse que tomar uma decisão sobre qual seria a melhor empresa pra fornecer o produto que eu precisava. Isso foi mais profundo e mais sério do que quando eu estava, digamos, ‘incapacitada’, por causa da deprê.

Outra coisa que tem me deixado meio preocupada é que consegui confirmar algumas coisas que eu já sabia: que eu nunca tive problemas tão sérios assim a ponto de me fazer virar uma anoréxica. Sei de muitas pessoas que sofreram violências psicológicas e físicas e que essa é a causa de seus males, mas eu, não. Os meus problemas emocionais são complicados pra mim - e só pra mim. E que tenho conseguido resolvê-los até com certa facilidade. O que deveria ser uma vitória, uma conquista muito boa na minha vida, acabou virando um “nó” assim: ah, se eu posso resolver com certa facilidade, por que me preocupar com isso agora? São problemas fáceis de resolver - eu é que sou meio nazistinha e gosto de me levar as coisas a sério demais . Se eu me livrar de todos os problemas agora, qual será o meu motivo pra viver? Isso é muito chocante de saber, até mesmo pra mim - eu, que sou a dona desses pensamentos.

Aí, lembrei de um estudo feito por uma psicóloga (acho) que li um outro dia e que reproduzia o que uma garota que tava se tratando disse pra ela. Era mais ou menos isso: “Eu fico procurando a Ana dentro de mim”. Isso me remeteu aos primórdios do meu regime (ou transtorno alimentar, sei lá...) em que eu ficava procurando a depressão ou qualquer coisa que fosse pra eu ter motivo pra voltar a emagrecer. Eu não queria engordar. Eu sabia se fosse uma gorducha feliz, eu seria sempre uma infeliz... não sei explicar isso direito. Assim como não sei explicar isso que está acontecendo comigo agora. Por tanto tempo eu acreditei que eu tinha um TA porque eu tinha depressão e agora tô sentindo na pele o que é só ter um TA mesmo, um TA em sua versão mais pura. Por que será que isso acontece?

Não consigo entender nada...

Escrito por Anna Paulla às 13h27
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30/12/2006


LIVE TO WIN

Ouvi uma música do Paul Stanley (sabe aquele que usa uma estrelinha no KISS?) e vou colocar a letra dela aqui pra vocês porque achei demais de maravilhosa!!! Então fica uma mensagem mais otimista pro ano novo, né?

 

Viva para Vencer

Frustrado, indignado, derrotado antes de chegar ao fim

Rejeição, depressão, não conseguiu o que você queria,

Você me pergunta como faço

Você me pergunta sobre todos os lugares e porquês

E anseia por cada palavra que vou dizer

Mas a verdade soa como uma mentira

 

Viva para vencer, até morrer, até que a luz apague em seus olhos

Viva para vencer, ganhe tudo, apenas continue lutando até você cair

 

Obsessivo, compulsivo, sua mente sufoca

Confusão, desilusão vão matando seus sonhos aos poucos

Você me pergunta como suportei a dor

E rastejei até sair do fundo do poço

Passo a passo e dia a dia

Até o meu último suspiro pra poder continuar

 

Viva para vencer, até morrer, até que a luz apague em seus olhos

Viva para vencer, ganhe tudo, apenas continue lutando até você cair

 

Dia a dia, lutando o caminho todo, sem desmoronar

Que o próximo round comece, viva para vencer!!

 

FELIZ 2007!!!

Escrito por Anna Paulla às 16h45
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26/12/2006


BALDE DE ÁGUA...

Bom, lá vamos nós de novo... A anorexia fez outra vítima neste natal - uma professora de 23 anos que morava no interior de São Paulo - Beatriz Cristina Ferraz Lopes Bastos. Linda ela... Putz, e isso só me fez pensar mais e mais... De novo... Na verdade, continuei formulando o que já estava na minha cabeça e que sei que vou me arrepender de escrever aqui, assim como me arrependi de contar que estava bem. Sabe por quê? Porque continuo super na boa, mas já comecei a procurar sarna pra me coçar e sei que é assim que recomeça. Acabei de descer da balança. Hoje já me pesei 4 vezes. Na semana passada, quando escrevi o último post sobre os meus progressos emocionais, eu estava me sentindo calma e feliz. Recebi uma resposta daquele amigo pra quem mandei o e-mail - uma resposta deliciosa, eu diria! Fiquei super feliz e retomamos a amizade - claro que não contei pra ele sobre paixão ou coisas do gênero, mas foi bom porque não quero que ele pense que tenho alguma outra intenção mesmo. Mas fiquei super feliz mesmo!

Bom, mas fui passar o natal na casa da minha sogra e comi - sem exageros - uma comida saudável, saladinha light - fiquei até orgulhosa de mim por um lado, mas... Eu não tô fazendo dieta - eu tenho um problema mental mesmo, viu? Só sei que quando estava voltando pra casa, pensei assim: ‘nossa, se eu estiver pesando **Kg, vou me dar um tiro na cabeça’ - claro que no sentido figurado... No dia, nem subi na balança, já que não me pesava há uma semana inteirinha e até tava evitando ficar muito tempo na frente do espelho pra eu poder saborear (olha que adjetivo que fui usar, hein?) o meu equilíbrio e a minha sanidade recém nascidos. Bom, no dia seguinte a coisa já começou a mudar...Pensei ‘se vou à ceia na casa da minha mãe, não posso exagerar de novo’(só se fosse no pensamento, né?). Enfim, comi um pouquinho pra ninguém ter motivo pra se preocupar comigo (ou pra eu fazer de conta que não tava mais nem aí pro meu peso... ou pra não decepcionar meus pais... ou pra ninguém encher meu saco...ou pra fingir ser perfeita... sei lá...), mas ainda assim fiquei meio preocupada (não infeliz, hein...). Só sei que de lá pra cá, felizmente, eu até emagreci uns gramas. Mas aí a coisa já tinha ferrado, né? Já tava pensando em emagrecimento de novo. Que saco!

O pior foi começar aquela sensação de “ser erradinha” que me dá quando sei que estou entrando na neura de novo... É uma sensação estranha: uma mistura de “auto-sadismo” e “auto-masoquismo” - é uma briga interna que não pára nunca. Eu adoro e odeio ao mesmo tempo... É a sensação de estar voltando pra casa, mas odiar o lugar que moro; é um tipo de comodismo agitado... Talvez seja só a sensação que me é tão comum voltando - aquilo que eu chamo de anorexia nervosa. É ser feliz sendo infeliz... Não sei explicar...Mas é quando eu paro de comer pra parar de pensar em comer. É uma tranqüilidade também, mas não é gostosa. É incômoda. Mas também é o momento em que eu consigo parar de ter pensamentos incessantes em comida. Ser feliz da maneira “normal e equilibrada” não é muito confortável pra mim... Sei lá... Dá culpa na consciência...

E depois comecei a entrar numa neura assim: se eu não escrever no blog isso que está acontecendo comigo, vou me sentir desonesta porque vai parecer que estou enganando as pessoas que perdem seu tempo lendo o que escrevo. Mas ao mesmo tempo, se eu escrever as minhas neuras, pode desestimulá-las a procurar tratamento, caso tenham essa idéia...

Putz, demorei pra resolver o que faria, mas decidi escrever porque sempre vou me arrepender mesmo... Escrevendo ou não, a sensação será a mesma, mas ainda dá tempo de dizer que eu não vou desistir do meu tratamento, não. Eu não sou perfeita e também não quero ser hipócrita. Tenho medo de influenciar as pessoas de maneira errada e também tenho medo de não influenciar ou até enganá-las querendo mostrar que o tratamento é fácil e rapidinho... E também tenho medo de ser pretensiosa achando que influencio alguém. Sei lá... Desculpem todos, mas precisava escrever aqui, senão eu teria que inventar um terceiro nick pra fazer outro blog e errar tudo de novo tentando mostrar aqui um lado politicamente correto que às vezes existe em mim e às vezes, nem acredito que fui capaz de ser tão correta assim.

Mas eu não quero mais morrer, não estou deprimida e estou feliz, desequilibradamente feliz e felizmente desequilibrada! E ainda assim, continuo sendo eu: arrependida sem ser desonesta ou sei lá... Tipo um Patropi (nossa, desenterrei -rs...) - sei lá, entende?

Escrito por Anna Paulla às 18h12
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21/12/2006


CURAR FRATURA EXPOSTA COM BAND AID NÃO DÁ

Preciso contar pra vocês o que tem acontecido comigo nesta semana... Sei que muitas de vocês que vêm ler o Blog são especiais e que são pessoas muito queridas minhas, então quero contar!!

Vou tentar explicar da maneira que eu vi, tá?

Dentro da minha cabeça existe um armário cheio de caixas: uma para amor, outra para raiva, outra para ódio, outra pra paixão, outra pra amizade, etc, etc, etc... e dentro de cada caixa está escrito a definição do sentimento e o antídoto pra ele, caso eu não fosse correspondida - e também colocava as pessoas ou situações que causaram esses sentimentos aqui dentro.

Sabe quando dizem que “as coisas do coração, a razão não explica” (é algo assim...)?

Pois é, entendi o que essa frase significa, apesar de nunca ter me dado conta de que não a tinha entendido antes...

Há muitos anos atrás, na minha adolescência - época sensacional na minha vida, aliás -, tinha uma pessoa muito especial que era meu amigo (ou achei que era...) e nós íamos num barzinho muito legal e fazíamos assim: escolhíamos com quem queríamos ficar naquela noite. Caso ele não conseguisse ficar com a garota e nem eu com o cara, nós ficávamos juntos. Nossa, eu esperava ansiosamente a semana inteira pro sábado chegar logo pra encontrar com ele e “aprontarmos” juntos. E aprontávamos mesmo!! Era muito legal!! Aí, um dia o barzinho fechou e em seguida, ele foi morar fora do país, mas ainda assim, ele me escrevia com freqüência e eu compus uma música pra ele e ele escreveu uma pra mim também. Durante todo esse tempo, eu era apaixonada por um cara maravilhoso, mas com quem eu nem tinha mais contato. Bom, nesses tempos em que o meu amigo estava fora, eu retomei o contato com a minha paixão e nós casamos!! - é o meu marido até hoje e espero que assim continue!!

Quando o meu amigo voltou, ele parou de falar comigo e isso me magoou de uma forma tão profunda que nunca mais superei. O post que escrevi sobre amizades era, na verdade, sobre ele... E o antídoto que tinha na minha caixinha nunca funcionou...

Na segunda-feira fui à análise e contei pra “Frida” esse meu “trauma”. Perguntei pra ela assim: “você acha que tem gente que sente as coisas com mais intensidade que outras?”, mas ela não respondeu a minha pergunta, só me mostrou as coisas sob um novo ângulo... não lembro como foi a ordem desse nosso papo, mas ela questionou se eu não estava confundindo “amizade” com “paixão”...  A minha primeira reação foi não aceitar isso, pois implicaria na aceitação de que eu era apaixonada por um cara e por mais 58.000 também ao mesmo tempo, porque eu sentia a mesma coisa por outras pessoas também e além disso, não explicaria o fato de eu ser apaixonada pelo meu marido de uma forma muito mais intensa do que por esses outros meninos todos. Além disso, eu teria que aceitar que meu coração se partiu tantas vezes, que eu era a maior perdedora de todos os tempos. Como eu sobreviveria tendo o coração partido tantas vezes assim?

Fiquei pensando e chorando e pensando e fazendo um dilúvio de tantas lágrimas que estava derramando por causa de um cara por quem, teoricamente, deveria sentir um total desprezo... Ele e outros caras por quem eu sentia a mesma coisa estavam na minha caixinha de amizades. Aí, fiquei pensando...E resolvi escrever um e-mail pro cara pra explicar que estava cheia de olhar pro meu passado que foi tão legal e só chorar, porque ele estava em todas as cenas, mas não era mais meu amigo e que eu não sabia onde eu tinha errado. Queria por um ponto final nisso tudo. Queria resolver o meu problema, pra poder olhar pra trás sem chorar mais. Mandei o e-mail num impulso com medo da resposta ou da falta dela, mas depois fiquei pensando... poxa, se era amizade, ele deveria saber de tudo que rolava na minha vida e não ser só um parceiro de beijocas no fim de semana... além disso, eu não tinha tesão por ele, nem nada mais físico, por isso achei que era amizade - dentro da minha caixa escrito “paixão”, a definição era: “pessoa por quem eu sentia o coração disparar, me dá tesão, tenho ciúmes e blá, blá, blá...” e em algum ponto entendi que paixão era isso tudo. Só que a minha ficha começou a cair quando percebi que tesão é uma coisa, ciúme é outra, amizade é outra e paixão é outra coisa diferente... E com um detalhe adicional:na minha caixa amizade só tinha homem!!

CONTINUA ABAIXO!

Escrito por Anna Paulla às 17h01
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CONTINUAÇÃO...

Todas as “amigas” que não corresponderam à minha amizade, eu simplesmente dei o antídoto e funcionou. Por que com ele, não? Por que com os meus “amigos” meninos o antídoto não funcionava e com as meninas, sim?

Nossa, quando eu percebi isso tudo, que foi um “sofrimento delicioso”, e tirei o raparigo da minha caixa de amizades e coloquei na caixa de paixões e dei o antídoto certo, consegui me curar sem cicatriz!!!!!! Parece que eu tava tratando uma fratura exposta com um simples band-aid... nunca ia curar mesmo.

Seguindo a linha de raciocínio que senti que estava certa, consegui encaixar as lembranças certas nas caixas certas para, assim, resolver muitas coisas que faziam com que eu me punisse muito, me castigasse muito acreditando que a culpa era minha... e não era!

Além disso, pude sentir que o alicerce do meu amor (e não só paixão) pelo meu marido é muito mais forte e profundo do que jamais pude sonhar... Não era paixão só. É amor, tesão, amizade profunda, confiança, carinho e todos os sentimentos bons que existem dentro de mim e no nível mais forte!! E ao contar pra ele toda essa volta que dei pra ter certeza de que o amo mais que amei qualquer pessoa que passou pela minha vida e que sei que sou correspondida na mesma intensidade por ele, consegui, pela primeira vez, chorar de alegria na frente dele. Foi demais!!

Além disso, ainda na mesma linha de raciocínio, consegui entender o motivo de não ter conseguido me defender quando fui acusada de uma coisa muito grave no meu último emprego, mesmo sabendo que era a maior mentira do planeta. E vendo isso, consegui ver que, apesar de que naquele momento não ter feito nada, foi melhor assim, mas que a partir de agora, vou conseguir fazer o necessário pra me defender e pra me impor.

Outra coisa boa foi que, assim que tudo isso ficou claro pra mim, fui rever uns amigos de verdade, mas que no passado foram paixões, e tive coragem de falar pra eles isso tudo e rir disso junto com eles - e melhor ainda - saber que hoje são meus amigos de verdade, pois sabem da minha vida e sei que posso confiar neles e que na época eles também eram apaixonados por mim, mas como eu agia como amiga, não dei abertura pra que eles demonstrassem o que sentiam - conclusão: não tenho o coração tão partido quanto achei que tivesse. E fiquei feliz e calma. E apesar de ter tido um grande medo de a sanidade ser só uma coisa vazia, agora pude reorganizar isso também e ter o objetivo de ter a minha sanidade e ainda assim ser uma pessoa completa!!!

Espero que vocês tenham conseguido entender!!!! E agora posso ajudar as pessoas pelo simples fato de ajudar pois quero que se sintam tão bem quanto eu, sem esperar retorno!!! Ufa!!

FELIZ NATAL E FELIZ 2007!!!!!! AMO VOCÊS E AGORA SEI QUE ISSO É VERDADE!!!

Escrito por Anna Paulla às 17h00
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19/12/2006


THE BITTER PILL

Hoje eu dei um passo pra mover com a minha vida... não posso e não quero falar o que foi, mas percebi uma coisa - como não sei expressar direito o que sinto, sempre encontro uma música que carrega todo o significado e fala por mim. Dessa vez, foi uma música de uma banda chamada Warrant que adoraria compartilhar com vocês!!

Se quiserem ouvir, é só clicar neste link (garanto que vão gostar - é uma balada linda!!!)

 

http://www.warrantweb.net/waxfiles/listen.asp?song=thebitterpill

 

Mas vou colocar a letra pra vocês!!

 

Às vezes me sinto perdida - e depois me encontro
Às vezes me parece que está tudo de  cabeça pra baixo
Sempre fico em silêncio quando estou gritando por dentro
Ao invés de amar - temos a tendência a odiar
Nunca damos o verdadeiro valor
Sobre o quanto as outras pessoas se importam ou se esforçam por nós

Me abraça apertado
E não me deixa ir embora
Porque estou confusa
Mas talvez um dia desses eu saberei  porque...
Às vezes sou perfeita

E outras só faço besteiras

Você é como um mistério
Por que não posso destrancar a porta?
Nem tudo que reluz é ouro
Muito é demais
O amor pode ser lindo
Ou um remédio amargo

E quando estou certa - também estou errada
A gente dá e a gente tira pra poder continuar vivendo

Isso acontece muito mais do que jamais sonhei
E quando você sorri - eu tenho que dar risada
E quando você chora - eu me divido em duas
Tão calma e, ao mesmo tempo, tão insegura

Me abraça apertado
E não me deixa ir embora
Porque estou confusa
Mas talvez um dia desses eu saberei  porque...
Às vezes sou perfeita

E outras só faço besteiras

Você é como um mistério
Por que não posso destrancar a porta?
Nem tudo que reluz é ouro
Muito é demais
O amor pode ser lindo
Ou um remédio amargo

Escrito por Anna Paulla às 06h40
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17/12/2006


ÜBER, OVER, DEMAIS

Não sei porque eu tenho uma necessidade desesperada de provar pras pessoas que sou alguém. Me machuca pensar que os outros nem pensam sobre mim. Que simplesmente me desprezam. Estive no meu orkut oficial hoje após muito tempo... E fiquei irritada com a quantidade de pessoas que tenho como “amigos” lá e que não dão a mínima pra mim. Nem sequer respondem meus scraps. Eu sei que é infantil... Mas me machuca mesmo. O que fazer? Eu queria ter coragem de mandar todos pro inferno!!! Odeio um por um desses míseros seres que sequer fazem parte da minha vida e mesmo assim me vejo nessa obrigação dolorosa de provar algo pra eles, de fazê-los sentir algo a meu respeito. Por quê?  Porque eu mesma me sinto um nada, um ser que existe na Terra e não significa nada, só isso. Nunca fiz nada. Nunca fui nada. Nunca existi. Que ódio! Queria mostrar que sou alguma coisa. Mas não sou... Cada dia mais, sou mais velha, mais ridícula e infantil. Só isso. E ninguém sequer se lembra da minha mísera existência, mas eu lembro deles - aqueles que um dia se disseram meus amigos, mas me esqueceram. Eu não esqueci. Nunca vou esquecer. Por isso preciso e quero tanto ser lembrada...

Além das pessoas que nem estão mais no meu orkut... Alguns que imaginei que um dia, juntos, riríamos das bobagens e aventuras que fizemos em nossa juventude, quando estivéssemos velhos. Pessoas que me desprezam mais do que as que me desprezam. Que ódio! Por que não posso simplesmente esquecê-las assim como fizeram comigo? Quero desprezar, e não entristecer. Quero que elas se sintam como eu me sinto em relação a elas. Quero que elas adoeçam e apodreçam. Morram secas e sem ajuda. Mas que antes eu passe e veja a miséria delas e talvez elas se lembrem de mim... Ou mesmo, não...

As pessoas pesam em mim. Todas que passaram pela minha vida... Lembro de uma por uma e lembro de cada momento que passamos juntas, cada segundo e mesmo assim, não tive o menor valor pra nenhuma... Lembro da minha amiguinha do prezinho. Lembro dela, lembro do nome e do sobrenome; lembro do nome da mãe dela. Será que ela lembra de mim? Será que os meninos que fiquei lembram de mim? Será que alguém pensa em mim? Por que se lembraria? O que eu fiz de bom pra alguém? O que eu fiz nessa minha vida? Será que sou tão desprezível? Será que alguém vai lembrar de mim daqui a 10 anos? Todas perderam a oportunidade de ter uma amiga que jamais esqueceria delas... Mas de que adianta, se mesmo que não lembrem de mim, eu ainda lembro delas? Pra que, não é? Quanto tempo será que doeria em alguém se eu morresse agora? Será que doeria em alguém? Será que alguém pensaria: era uma pessoa tão legal, ou era uma pessoa tão doida? Será que eu valho alguma coisa? Quanto? Pra quem?

Eu nunca senti um “vazio”, como muitas pessoas dizem que sentem... Muito pelo contrário... Sempre acho que a intensidade do que sinto é über, sabe? Sentir “nada” seria uma boa pedida pra mim... Anestesiar isso tudo. Por isso que quero o controle de mim mesma. Dizem que a anorexia está relacionada ao autocontrole. Acho que é verdade. Não consigo expressar o que sinto sem fazer um escândalo teatral dramático. É uma música explosiva no último volume... Perda total do controle... Qualquer sentimento explode em mim. Será que existe isso? Será que as pessoas sentem em diferentes intensidades? É por isso que nunca consigo me defender ou me expressar - tenho medo de explodir... Você já viu aquelas adolescentes que vão a shows e ficam chorando, desmaiam, gritam, esperneiam e que o povo acha ridículo? Pois é assim que me sinto em relação a tudo e todos o tempo todo. É cansativo. É over. É demais. É explosivo. Queria que alguém se sentisse assim a meu respeito, mesmo que eu não faça shows, não seja uma rock star, como queria quando era adolescente... Eu já fiz escândalo em show!!! Hahaha!!! É verdade!!! E foi tão bom!!! Foi um alívio!! Lá eu pude explodir!!! Mas minha mãe falou que isso era só uma fase e que quando eu ficasse mais velha, quando eu fosse uma mulher adulta, isso tudo passaria. Mas não passou... Sou uma adolescente ainda? E agora, manhê??

Escrito por Anna Paulla às 04h59
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